Desde já as minhas desculpas por destapar o elefante que já está na sala.

No espaço de uma semana, o que era certo, está cancelado. Não há praticamente contactos ou propostas até maio. E depois vem o verão que em Portugal tem 3 meses.

 

Como é que as marcas e instituições vão comunicar com o seu público-alvo até setembro? Paramos tudo?

 

Num artigo do eventmanagerblog.com que pode consultar aqui, já se procuram alternativas onde  organizar eventos online toma forma. E será que faz sentido?

Segundo o artigo apenas 33% do responsáveis de Marketing organizaram eventos 100% digitais, e 70% pensam fazê-lo. E as grandes organizações como o Google já estão a levar a cabo a “migração” do presencial para o digital.

Estes dados não consideram Portugal onde creio que 33% será optimista.

 

Fonte: https://9to5google.com/2020/03/03/google-io-2020-coronavirus/

 

Quais os benefícios de organizar eventos online?

Além de não ficarmos todos parados, existem variáveis muito relevantes de comunicação e envolvimento entre marcas, instituições e o público-alvo.

 

  • Custo – não há catering, espaço físico, e investimento em imagem física. Não há preocupações de garantir dormidas para oradores ou influenciadores;
  • Escala – O evento pode ter uma audiência muito maior que o evento físico, não há barreiras de deslocações e investimentos para os participantes, nem perdas de tempo;
  • Ambiente – Sem deslocações, gastos de material que é deitado fora, comida que não foi consumida entre outros aspetos;
  • Alcance – enquanto que quem vai a um evento físico está envolvido, aqui o alcance de envolvidos pode ser maior, porque já não são aqueles que vão fisicamente mas que podem participar virtualmente;
  • Envolvimento – Como? Envolvimento? Mas há lá coisa melhor do que estar fisicamente num local? Não é bem assim. O participante pode ter acesso a apresentações, interagir diretamente com os oradores, receber conteúdo dos parceiros e patrocinadores, isto sem sair do seu sítio, e também à hora que mais lhe convier (evento diferido);
  • Métricas – quem esteve ligado, quanto tempo, quem se inscreveu vs participou, quem descarregou documento, qual a apresentação mais interessante… o digital é um mundo no que diz respeito a análise de dados.
  • Plataformas de streaming com excelente qualidade – gratuitas e pagas, através das redes sociais ou proprietários, a escolha fica ao critério das equipas de marketing e comunicação. Ah, e pode ser pago também.

 

E quais os riscos de organizar um evento online?

 

  • Oradores desinteressantes ou impreparados – num evento presencial um orador se for desinteressante, obriga-nos a desligar durante uns minutos. Num evento online pode fazer-nos sair da ligação para não mais voltar. Precisam de ser interessantes, interessados, e com conteúdo preparado para este formato;
  • Má comunicação digital – Está lá também o envio de convites digitais, o formulário de inscrição, mas provavelmente o site terá mais relevância, os lembretes… é fácil esquecer um compromisso digital;
  • Más condições de streaming – é muito mais fácil alguém sair de uma sala virtual, onde tem menos paciência. Muita atenção ao streaming, ou ao vídeo.

 

Pode um evento online ser tão ou mais efectivo que um evento presencial?

Pode. Claro que pode. Todos os dias assistimos a micro-eventos online que nos preenchem o dia: vídeos, demonstrações, reportagens, entrevistas.

O conteúdo tem de ser bom? Claro que tem. Tem sempre. O custo de o produzir até pode ser bem menor.

Esta fase que atravessamos (consegui não dar o nome) é também uma oportunidade de caminharmos para uma verdadeira e efectiva Transformação Digital nos eventos.

Estamos em Portugal, marcas, agências, fornecedores, preparados ou vamos ficar durante semanas ou meses a assistir a uma fase de travão a fundo nos eventos corporativos e médicos?

Há algumas semanas, uma responsável de uma agência de congressos médicos dizia aqui que este segmento estava parado desde há décadas.

Ora aqui está uma oportunidade.

 

Até (muito) breve.