Olá, eu sou o Nuno e sou um pequeno empresário que cometeu muitos erros como empreendedor.

Saí há 7 anos de uma grande empresa e iniciei um negócio.

Passado este tempo e apesar de termos lucro em todos os anos e não termos dívida, cometi enquanto gestor, erros que poderiam ter deixado esta viagem a meio, com um naufrágio.

Este texto não serve para carpir mágoas. Se puder ser útil a alguém, melhor, pois acredito que devemos ajudar quem está a começar, nem que seja apontando os nossos próprios erros.

Fazem parte do caminho mas alguns podem ser evitados, e nunca repetidos.

Representam uma leitura pessoal, não são verdades imutáveis e dependem de pessoa para pessoa, de empresa para empresa.

Se houver por aí redondas discordâncias será excelente, pois todos nós temos uma leitura própria e genuína.

Sem mais delongas e por ordem cronológica aqui vão os 7 erros que cometi como empreendedor:

 

#1 Todos vão querer comprar o nosso produto/serviço porque nós somos competentes!

Ninguém nos conhece, e mesmo quando nos conhece pode não querer comprar. Porque não lhe resolvemos o problema, porque já tem um parceiro ou simplesmente porque não valoriza o nosso serviço a pontos de o adquirir.

Descobrir os interessados demora tempo mas crer que serão todos os que nos ouvem pode gerar frustração. Ah, e vale mesmo a pena ouvir as necessidades dos potenciais clientes.

R: find a nich and you get rich – qualifiquem bem o tipo de cliente que compra em quantidade e qualidade o vosso produto/serviço.

 

#2 Penso no digital depois, agora há que nos mostrar, vou mandar fazer cartões de visita!

Durante os primeiros 18 meses tínhamos um site “arrumado” que não envergonhava ninguém. Boas imagens, uma descrição catita, tínhamos redes sociais, fazíamos email marketing de vez em quando. Ponto final parágrafo.

Quilómetros em reuniões de networking quase sempre muito agradáveis. Recolhi pessoalmente centenas de cartões, foram criadas algumas oportunidades. O desfecho ao fim de 12 meses era catastrófico nessas reuniões. 2 vendas.

A atividade era mantida por sermos outsourcing de empresas maiores, na obscuridade.

Passado esse tempo mudámos drasticamente. Lambemos as feridas e mudámos de armas e bagagens para o digital. Site, blog, conteúdo atualizado, publicidade, email marketing, imagem, qualificação de leads. Criámos dezenas de negócios a partir de quem nos encontra.

É a nossa maior fonte de novos clientes, que crescem mensalmente.

R: O digital permite o ROI mais eficaz e eficiente de todos os canais. Consistência, cadência, partilha e capacidade de resposta.

 

#3 Vamos diversificar os produtos e serviços para ter mais fontes de receita, vamos a todas!

 

Entrámos em negócios de formação, de gestão de leads, de cowork.

Queríamos, enquanto cresciamos, ter novas fontes de receita.

Errado. Dispersámos.

Sem ter os conceitos maduros, perdemos tempo e fomos medíocres em todas as áreas. Sim, demos resposta mas no final do dia sentimos o tempo a passar sem evoluir.

R: Um mecânico não é um bom médico, nem bom marketeer. Foco naquilo que é Core e onde queremos ser mesmo bons e (re)conhecidos

 

#4 Fazemos aquilo que nos dá mais prazer, depois vem o dinheiro. Sem dinheiro não vai haver prazer por muito tempo…

Dentro dos nossos serviços, fazemos desde SMS Marketing até avaliação de satisfação, estudos de mercado, planos de marketing, e consultoria em soluções para eventos, gestão de leads.

Desculpem, fazíamos.

Num dado dia, numa folha, elencámos todos os serviços que faziam parte das atividades core e vimos: alocação de recursos, custos de aquisição, margem…

Abandonámos vários, que de facto nos davam muito prazer. Mas muito esforço e pouca margem. Se querem fazer algo por prazer tenham um hobby. A realização dá prazer, ter pouca margem, a longo prazo não dá prazer nenhum.

R: Se o que fazemos nos dá prazer e muita margem, ótimo. Senão, escolham a margem. Vão ver o prazer que dá no futuro.

 

#5 Vou ser gestor de uma equipa!

Contratámos cedo demais. Digo-o com toda a frontalidade. Tivemos a sorte de termos colaboradores competentes, todos eles, mas o Gestor, eu, não foi capaz de ter um negócio robusto suficiente para os manter.

Num negócio pontual como o nosso, não há receita garantida. O modelo “tradicional” de Custos Fixos gera pressão em alguns momentos.

E há a motivação, a gestão, a organização, a formação. E com o relógio a contar…

R: Contratar recursos apenas quando o negócio estiver “controlado” porque senão cria pressão de resultados, desmotivação do decisor e urgências.

 

#6 Mas afinal porque fazemos o que fazemos: não ter uma Missão.

No início queríamos ser o Marketing das micro e pmes. Vimos que muitas, sem investimento de QREN ou Portugal 2020 olhavam para o Marketing como um custo superflúo. Culpa nossa, que não soubemos passar o valor.

Depois éramos uma central de gestão de oportunidades. Tudo mexia. Margens baixas, muito desenfoque, muito esforço, tempo perdido…

Hoje e desde há algum tempo já nos definimos: Queremos ser os parceiros de Tecnologia para Organizadores de Eventos para poderem criar valor para si próprio e para os seus clientes. Ponto.

O resto é acessório.

R: Foco na missão, clara, concisa e que diga algo a alguém. Vamos perder outros mercados? Sim, mas vamos falar directo com quem queremos.

 

#7 (O maior dos erros como empreendedor que cometi) – Temos de servir todos os Clientes, não podemos dizer não! E o cliente tem sempre razão!

Para quem como nós prima por procurar dar um serviço de excelência, próximo, com capacidade de resposta, pode parecer um contrasenso o que vamos afirmar a seguir.

Para podermos servir os clientes que são importantes, temos de “despedir” os “Já agora, e agora e já…” que querem tratamento VIP a um preço Low-Cost.

É a decisão mais dura de todas mas ter clientes que não valorizam, que ocupam recursos e que não estão satisfeitos com nada, não é negócio: é servidão.

R: Servir os clientes não é ser-se Servo dos clientes. Dar a quem nos valoriza. Despedir quando nos dão prejuízo ou ocupam muitos recursos sem valor acrescentado.

 

Conclusão

Se chegou até aqui, obrigado. Ainda que tenha acenado negativamente várias vezes com a cabeça.

Nós não somos unicórnios, não temos dívida, somos pequenos e o que é a nossa leitura é certamente diferente das dos outros.

Mas se alguém encontrar nestas palavras um eco, algo em comum, e pudermos ajudar a que não se magoe como nós, então já valeu a pena.

Aliás, vale sempre a pena. É a piada de ser empreendedor, mesmo só com a parte da Dor por vezes.

Até (muito) breve

Crédito da Foto Hélder Pinto (https://helderricardopinto.com/)