Porquê criar um blog empresarial? A melhor ferramenta para o pós pandemia.

Este artigo dirige-se a decisores de microempresas como eu. Foi escrito em abril de 2020, num período para muitos de quebra muito acentuada de atividade. Porquê criar um blog.

Prepare-se, é algo extenso. Mas espero que valha a pena.

Para muitos, como eu, o tempo sobra. Num negócio pequeno podemos antecipar tarefas, melhorar processos, mas bem…o negócio é pequeno.

Se temos colaboradores, a angústia ainda pode ser maior. Motivá-los, dar-lhes tarefas úteis para eles e para o negócio pode ser complicado, a roçar o impossível.

Se o seu feed das Redes Sociais for como o meu, está invadido de conteúdo vídeo, webinars, dicas, cursos online. É a adaptação das empresas a um confinamento que torna praticamente impossível o contacto físico.

É este o pano de fundo para uma grande oportunidade.

 

Como está o seu site? Mal, obrigado.

Não fique já cabisbaixo. Não o atualiza há muito tempo, ou se calhar nem o tem. Foi sendo adiado, não era uma prioridade.

Se calhar a empresa que o criou já nem existe, ou até o criou numa plataforma “pré-histórica”.

Vamos às boas noticias. No final de 2018, 63% das empresas com mais de 10 trabalhadores tinha site (pode consultar aqui), mas não há dados para microempresas.

Arriscaria que 50% não tem site e dos que têm pode ser para lá de mau. E isso não é bom.

Ter um site pouco apelativo e desatualizado é quase tão mau como não ter.

Mas é uma oportunidade para si. Tem tempo? Sim. É a principal variável a considerar.

Já imaginou se o seu escritório ou loja tivesse à vista os produtos cheios de pó, com caixas partidas, ou sequer se não tivesse elementos identificativos?

Pois esta é a sua presença atual na Internet provavelmente.

 

E criar um blog…e manter é mesmo importante?

 

A não ser que seja filosoficamente contra a tecnologia, tem provavelmente sites que gosta de visitar, redes sociais, e se calhar empresas a quem compra online.

Se há algo que a pandemia trouxe foi uma explosão de novos utilizadores online que consultam, compram e tomam decisões à distância.

Aquilo que até há poucas semanas (à data do artigo) era uma vantagem competitiva, vai passar a ser uma questão de sobrevivência.Ter uma presença digital efetiva.

Não sabemos como vai mudar o comportamento do consumidor pós pandemia. Mas não vai ser semelhante, seguramenta. Vai ser mais exigente, vai valorizar mais o tempo, e em alguns casos, a escolha de fornecedores agora pode vigorar por muito tempo.

 

E porquê criar um blog e não uma loja online?

 

Boa questão. Algumas empresas estão a criar lojas online, desconhecendo que vão entrar num terreno de Liga dos Campeões do Marketing Digital.

Gerir centenas ou milhares de produtos, stocks, envios, publicidade em larga escala (a concorrência é feroz), exige contratar novos recursos, ter parceiros e investir, e muito.

Poucos milhares de euros poderão não chegar. E não vai chegar aos primeiros lugares da noite para o dia, e mesmo que chegue, o volume de vendas terá de ser substancial.

O Continente Online demorou anos a ter uma base de clientes sólida no digital e só na pandemia é que provavelmente se tornou lucrativo.

Ora, se o tempo é de contenção, criar uma boa loja online exige o investimento que provavelmente nunca fez. E estamos a falar para microempresas, onde o capital normalmente é escasso.

Sobra o blog. É aqui onde pode partilhar conteúdo útil para os seus visitantes, clientes e todos aqueles que se interessam pelo seu mercado.


Mas o que é que o blog tem de tão especial?

 

Poderia fazer aqui um texto denso mas prefiro colocar por pontos (e vou esquecer-me de alguns):

 – Criação e manutenção com o mínimo de capacidades de programação, o que significa que com bons cursos online, e bons artigos como este pode iniciar-se nesta ferramenta. Há também muitas empresas que o fazem e bem, mas volto a dizer, tempo é algo que tem. Estou a partir do pressuposto que vai ser criado em WordPress. Mais à frente explico o motivo.

 – O Google adora blogs – o conteúdo que produzir no seu blog se for relevante e interessante vai ganhar posições nas páginas do Google. Mas para isso aconselho a leitura de artigos sobre SEO (Search Engine Optimization), a parte mais técnica. Mas até aqui existem ferramentas gratuitas como o Yoast para colocar no seu site e à medida que escreve o seu artigo/conteúdo, vai dando sugestões de melhoria.

 – O blog “casa” lindamente com o email e redes sociais – envia email marketing aos seus clientes? O que lhes diz? Que tem produtos e serviços bons? Todos temos. Na sua rede social promove os seus produtos, descontos, vendas? Que bom.

Pergunta para queijinho: gosta que os seus fornecedores estejam sempre a tentar vender-lhe algo? Não? Os seus clientes também não.

Produzir artigos que possam (e devam) ser partilhados nas Redes Sociais e nas suas eletters é precioso, pois vai aumentar os visitantes no site que podem consultar outros conteúdos, ou…comprar.

 – Torne-se uma autoridade no seu mercado – escrever, partilhar vai gerar confiança na mente do seu potencial cliente. Pode não comprar agora mas vai provavelmente fazê-lo no futuro. E vai lembrar-se de si e do seu negócio. E numa fase onde há uma onda perfeitamente justificada de negatividade e quase bloqueio estratégico, preparar o terreno vai ser precioso.

 

O que escrever no blog?

 

Antigamente dizia-se que o segredo era a alma do negócio e muitos negócios pensam ainda assim. Agora, as empresas que partilham são muito mais bem sucedidas, porque os consumidores querem ter confiança antes de decidir.

Dicas, tutoriais, formas de utilização do produto, outras sugestões para o seu público alvo (se não o identificou está aqui uma boa altura), não apenas da sua empresa mas também do seu sector.

Se for um contabilista aprofunde como solicitar layoff ou calcular os custos e receitas para os próximos meses, se for um personal trainer, dê dicas de uma ementa saudável, se for uma loja de retalho físico de alimentação, partilhe receitas… e mude de tema.

Seja positivo. É muito importante.


Porquê criar um blog com o WordPress?

 

Se for como eu, tem quase nenhumas noções de programação. Voltando ao artigo do Paulo Faustino, que elenca os passos, é possível e está ao nosso alcance (artigo aqui). E isso faz toda a diferença. Pode melhorar as competências dos seus recursos, para iniciar e manter o blog.

 

Criar um blog…e manter: o meu caso, uma microempresa com 90% do negócio vindo por esse canal.

 

Em 2015 criei o Blog da Asserbiz, dedicado a temas de Marketing e Tecnologia para Eventos. Tive logo milhares de visitantes…

Não, não tive. E não tenho, mas tenho o tipo de visitantes que me interessa para a empresa.

Comecei por tentar perceber o que procuravam e como procuravam. Há boas ferramentas para isso e gratuitas (o Keyword Planner). Vai surpreender-se.

Dos 2 ou 3 dos primeiros 6 meses, transformaram-se em dezenas, depois em centenas. Na Asserbiz não temos equipa comercial tradicional, somos encontrados, só investimos, e pouco em publicidade digital.

Fui escrevendo cada vez mais. Os primeiros artigos foram ao lado, mas fui melhorando, como tudo é uma questão de prática.

Escrevo todos os dias? Não. Não tenho estrutura para isso, e provavelmente também não terá. Mas faça disso um hábito ainda que seja semanal ou quinzenal. E mantenha.

Hoje, mesmo em altura de pandemia, não paro de criar conteúdo, de melhorar o que está no blog (é muito importante ir atualizado o conteúdo existente) e mesmo com o negócio parado, os visitantes continuam a entrar no nosso espaço virtual. E com isso estamos com a visibilidade possível nesta fase, continuando a dar dicas, e refletir sobre o nosso mercado. Porque a pandemia vai passar, e só os mais fortes vão sobreviver.

 

Para concluir:

 

Primeiro as más noticias. Criar um blog empresarial e manter não vai ser feito da noite para o dia. Exige tempo, afinação, falha, tentativas. Ninguém acerta à primeira.

Mas o tempo para este efeito está do nosso lado. E tem as competências. Se as não tem adquiridas, invista em si e nos seus colaboradores.

Em termos financeiros estamos a falar de poucas centenas de euros entre cursos, alojamento, temas.

Mas o valor a criar é incalculável.

Fique bem.

 

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