(Silêncio)
O Século da Solidão, lançado há menos de duas semanas em Portugal, de Noreena Hertz, foi lido em poucos dias, pelo interesse que me causou. Escrito já durante a pandemia, aborda o tema da solidão já desde antes do seu início.
Robots cuidadores de idosos.
Executivos que pagam 40€ por hora para poderem levar canja a “amigos alugados” porque se sentem sós.
Pessoas que furtam lojas para poderem ser presos porque na prisão têm companhia.
Universidades que têm nas suas disciplinas, matérias relacionadas com a empatia e leitura de linguagem não verbal para os jovens compreenderem melhor as expressões de outros.
Soldados que fazem homenagem a robots que explodiram após a desativação de minas, tratando-os como humanos mortos em combate.
Habitantes de prédios que durante 3 anos não conheceram um único vizinho pelo nome…
Robots que fazem hambúrguers, ou que são porteiros de hotel.
São casos extremos e internacionais lá longe ou são fruto de imaginação delirante da ficção científica, correto?
Sabia que eram já uma realidade? Eu não.
(Silêncio)
Alguns estudos apontam para que a geração dos mais novos vá ser das primeiras em que será mais pobre e com menos condições que a anterior. Que os robots e IA vão substituir muitas profissões como médicos, psicólogos (sim, isso), gestores de fortunas e não apenas profissões mais industrializadas. Como ficaremos nesta economia da solidão?
Cidades que atualmente já têm espigões para não sentar/estacionar, bancos de pedra desconfortáveis para evitar os sem-abrigo, arrancando árvores em sítios de calor para colocar granito, em soluções de “penso-rápido” para turista ver.
Há cada vez mais pessoas a viver sozinhas, seja nas cidades ou nas aldeias, imersas nos seus interesses sugeridos pelo seu fornecedor de internet, televisão, de compras online ou simplesmente sem recursos financeiros para sair.
Fala-se e com muita razão do enorme desafio do ambiente que temos pela frente. Mas pior será fazê-lo cada um por si, em vez de fazê-lo em comunidade.
As aldeias estão a morrer com casas fechadas e estradas novas. As lojas de rua estão a fechar ou com colaboradores à porta, em bairros onde só à noite é que os habitantes lá estão. As empresas estão a internalizar (antes do Covid) serviços que seriam prestados por outros (ginásios, cafetaria) tornando-se bunkers. Os Open Spaces onde já ninguém se consegue ouvir, estavam cheios de pessoas de auscultadores, imersos nas respostas infinitas a solicitações de todo o lado. Trabalhadores industriais são monitorizados nas suas idas à casa de banho, pelos passos que dão, crianças aprendem a ler assim que começam a falar para se tornarem mais “competitivas” e não “perderem o comboio”.
O jornalismo está refém, nas suas páginas online, de anúncios de muitas marcas que querem prender a nossa atenção. Artigos não são escritos para não ferir algumas dessas marcas. Num artigo de um conhecido jornal sobre este livro, aqui, menciona-se que as redes sociais são as empresas de tabaco do século XXI. É verdade que o livro fala nisso, mas é redutor (e é sempre fácil fazer este paralelismo).
Mais voluntariado, associações comunitárias, direto a desligar, mais equiíbrio profissional-pessoal-familiar, programas de formação e qualificação adequados ao perfil profissional de desempregados, aproximação das comunidades locais, fomento ao comércio local, aos produtores e artistas, maior utilização de equipamentos públicos de partilha de conhecimento, maior envolvimento nas estruturas locais de decisão, educação focada na cooperação, no prazer de aprender, na gamificação e criatividade, no exercício e convivio, e não na industrialização de tarefas, na diferenciação e não no afunilamento de conhecimento.
Mais partilha, menos eu e mais nós, a própria música mudou o “We, Us” para o “i, me, mine, my”
São assuntos incómodos porque não têm solução fácil, nem imediata, algo que apreciamos. Algo que se possa tomar com água e que passe em minutos.
Eu gosto da tecnologia, já me deu muito, e não quero diabolizá-la, até porque somos nós que a usamos e a melhoramos. Para quê ter deslocações de horas ou dias quando podemos falar à distância, por exemplo? Mas estamos a correr riscos de nos tornarmos estranhos uns para os outros, mais propensos a querer ficar na nossa a ver o feed das Redes Sociais, do que a conviver, cara a cara, com o telefone longe, em vez de estar a preparar aquele momento para ser partilhado.
O ser humano não é o animal mais rápido e mais forte, mas sobreviveu porque conseguiu colaborar em comunidade em larga escala. Em relação às vacinas do COVID-19 foi possível fazê-lo. Mas há outros desafios que estamos a enfrentar, em solidão e isolamento, virados para nós próprios.
Fica aqui esta reflexão, e uma leitura que recomendo a todos, concorde-se ou não com esta reflexão.
Tudo de bom.
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